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Ele é pouco conhecido até em sua terra natal, a Inglaterra. E lá, como nos EUA e no Brasil, bastante confundido. Acontece que o Bullmastiff tem uma aparência semelhante a algumas raças mais conhecidas, como o Boxer e o Fila Brasileiro. A confusão tem razão de ser. Todos esses cães pertencem a um grupo chamado de molossos, caracterizado pelo físico robusto, compacto e com boa musculatura; peito volumoso, mais amplo que a parte de trás; cabeça larga e focinho mais curto que o crânio. Criador antigo de Bullmastiff, Alan Rostron, que mora em Manchester, uma grande cidade inglesa, confirma que quando sai à rua com os seus cães poucos os reconhecem e constantemente os confundem com o Boxer ou um mestiço. Situação semelhante passou a criadora, com mestrado em medicina veterinária e vice-presidente da Northwest Bull Mastiff Society, em Washington- EUA, Barbara Brooks-Worrel, quando foi comprar selos nos correios junto com o seu Bullmastiff. Um homem se aproximou e explicou que criava Boxers há 15 anos e nunca virá um tão lindo quanto aquele. No Brasil, o pouco conhecimento da raça é o mesmo. MAIS MASSA Embora confundido com outros molossos, o Bullmastiff tem características físicas particulares, que o definem como raça. É mais encorpado que o Boxer. Sua estrutura física é mais robusta, corpulenta e musculosa. Bate a do Boxer por 29 quilos a mais no peso máximo permitido e supera em 5,5 centímetros a altura. Como bem comparou a americana Barbara, "ele é fisicamente um Boxer que tomou esteróides", referindo-se à substância química usada por atletas para aumentar a musculatura. As maiores semelhanças de ambos são as cores da pelagem, o tigrado ou o fulvo, e a cabeça, embora o excesso de rugas do Bullmastiff acabe criando uma expressão mais carrancuda e brava. O Fila Brasileiro é maior. Chega até a 6,5 centímetros a mais de altura, com o típico "bumbum" arrebitado que o Bullmastiff não tem. Suas costas retas do pescoço à cauda. A falta de popularidade da raça, porém, não provém de uma carência de qualidades ou da ausência de uma função prática. Esse cão possui muitas virtudes e desempenha o seu papel como guarda e companhia com eficiência e peculiaridades bastante atraentes. E, apesar de desconhecido e de ainda não estar entre as raças mais populares na Inglaterra, nos últimos dez anos seu número de registros tem triplicado naquele país. A razão para tal aquecimento, segundo o secretário da Bulmastiff Society, na Escócia, Robert Taylor, está provavelmente no caráter equilibrado e pouco violento, o que "garante a segurança, reduzindo as chances de acidentes fatais". Trata-se de uma preferência atual na Inglaterra, cujo objetivo é erradicar cães extremamente bravos que machucaram ou mataram pessoas. Afinal, foram os ingleses que difundiram as rinhas entre cães, que lhes custaram severas críticas de entidades e organizações protetoras de animais. CARA DE MAU A intenção ao desenvolver a raça era ter um cão de guarda que protegesse as reservas de caça da ação dos ladrões noturnos, os quais seriam depois de pegos, enforcados em praça pública. Diferente, portanto, dos cães pastores ou boiadeiros, depois aproveitados como guardiões. Por essa razão, o Bullmastiff tem muito definidas as características essenciais para realizar o serviço. Seu primeiro forte aliado é a intimidação que provoca nas pessoas. Corpulento, forte, autoconfiante e com uma enorme cara de mau, impõe respeito. A cara de mau vem da expressão penetrante, de cão bravo, provocada pelas rugas da face, por um sulco pronunciado entre os olhos e uma máscara negra envolvendo o rosto e ilhando os olhos. Tais detalhes lhe conferem uma aparência de mais violento do que a realidade. Um Bullmastiff típico deve ser confiável. "Não ataca sem motivo e quando o faz, procura encurralar ou manter a pessoa imobilizada, até o dono chegar. Usa não só os dentes para segurar, mas o peso do seu corpo, a massa muscular e as patas para derrubar no ataque", explica o adestrador Carlos Rangel, de São Paulo - SP. REAÇÃO EXATA Na sua função inicial, os invasores das reservas de caça não podiam ser dilacerados ou mortos pelo cão. O presidente da The Bullmastiff Association e criador da raça há 27 anos, no Texas- EUA, Peter Aczel, comenta que o Bullmastiff nunca faz o que os americanos chamam de over-react. Isto é, a sua reação jamais é maior do que o necessário. Relembra que um amigo foi salvo pelo cão, quando um louco segurando um taco de beisebol tentou atingi-lo. "No momento que ia golpear, o cão pulou e segurou o braço do agressor". Para imobilizar com eficiência uma pessoa, com a boca, o cão precisa de uma mordedura potente que "segure" com firmeza. No Bullmastiff, essa qualidade é dada pela maior área de apreensão da boca, favorecida pelo focinho amplo e por um ligeiro prognatismo (dentes incisivos inferiores ultrapassam os superiores) que possibilitam "segurar" com grande força. Outro fator importante é ter estabilidade no solo, como se fosse um bate-estaca, muito firme, difícil de ser derrubado. Para tanto, o Bullmastiff tem um corpo musculoso e bem largo, aumentado a área de apoio. Conta com uma audição apurada para localizar com precisão os invasores, principalmente à noite e uma boa acuidade visual. Já o faro não é tão desenvolvido. Segundo José Peduti Neto, professor de anatomia veterinária, a causa é o focinho pequeno que diminui a extensão da mucosa receptora das partículas de odor. Já para Hilda Drumond, diretora cinotécnica da ACB, a redução da percepção dos cheiros se deve à testa alta, que dificulta a chegada dessas partículas ao nervo olfativo. Precisava também ser silencioso. Agir furtivamente para pegar o ladrão de surpresa. Por isso, dificilmente late - só quando há perigo iminente ou invasão do seu território. A raça não gosta de estranhos. Fica desconfiada na presença deles, mas não ataca, principalmente se estiver acompanhada do dono. O ataque se restringe apenas às áreas do seu domínio. UM GRUDE Com os donos, a raça é muito dócil e apegada. Precisa da companhia e do contato com os proprietários para se sentir feliz e desempenhar bem a função de guarda. Do contrário, torna-se arredia e desmotivada. Não serve para viver isolada num fundo de quintal. O Bullmastiff faz qualquer negócio para ficar perto dos que ama. "Se deixarmos, deitam até no colo da gente, mas não têm noção do seu tamanho. Expansivos, demostram sua paixão pelos donos, efusivamente. Com crianças, a raça é muito paciente, protetora e brincalhona, mas não tem noção de seu peso e tamanho. Portanto, os pequenos, abaixo de cerca de 9 anos, que não agüentariam o tranco desse peso-pesado, não devem ficar sozinhos com ele. Nunca atacará, mas pode derrubar, dar uma patada, provocando acidente. Isto é mais freqüente quando os cães passam muito tempo presos - ficam agitados demais. Para se dar bem com qualquer bicho ou até com outro da sua raça (especialmente do mesmo sexo) deve conviver com ele desde jovem. TODO ESTILO Recebendo a atenção dos donos, esta raça se adapta a qualquer estilo de vida. Desde a viver num ambiente pequeno ou grande, como a acompanhar um idoso a ver TV ou até fazer esportes junto ao dono. O único senão é que até os dois anos ele gosta de destruir as coisas, mordendo e roendo. Depois, a coisa acalma e praticamente ele deixa de fazer arte. Torna-se mais cuidadoso, embora seu tamanho e peso sejam sempre uma ameaça. Inteligente, aprende tudo muito rápido. A raça vai bem em pequenos ambientes desde que seja levada para passear por 30 minutos diários. As unhas devem estar sempre aparadas para evitar que machuquem as pessoas. Os banhos podem ser mensais e a escovação semanal, com luva de borracha e escova. Inspeção semanal nas orelhas e limpeza se estiverem sujas, para evitar possíveis infecções. A escolha de um cão desses deve ser feita, preferencialmente, aos 60 dias de vida, época em que já é um réplica do adulto. Depois disso, ficam desengonçados. Observe também se a cabeça é grande e a linha superior, firme (force suavemente para baixo com a mão). O juiz brasileiro, de todas as raças, Werner Degenhardt, acha que os nossos Bullmastiffs ainda têm a cabeça muito leve, " o que pode provocar um eventual prognatismo maior" (deve ser pequeno, segundo o padrão da raça). Determinadas linhas de sangue apresentam alergias na pele, sendo as pulgas a principal causa. A raça, como a maioria dos molossos, tem propensão ao câncer, principalmente no sistema linfático. O tratamento é feito com quimioterapia. Ocorre também com certa freqüência a displasia (alteração na articulação do fêmur no osso da bacia). Evite acasalar os exemplares portadores desse mal genético. A raça vive em média 9 anos. Quando nascem, recomenda-se vigiar os filhotes com atenção especial. Lembre-se: a raça não tem noção do seu peso e tamanho. Qualquer distração e a mãe pode esmagar a cria involuntariamente. VIGIA NOTURNO O Bullmastiff foi desenvolvido por volta de 1860, na Inglaterra, para proteger os campos de caça dos ladrões, principalmente à noite. As raças usadas na sua formação foram o Mastife e o Buldogue, que não tinham as características desejadas para tal função. O Mastife era muito lento e não agressivo o bastante. O Buldogue da época era agressivo demais porém pequeno. Com a participação de Samuel E. Moseley, de Staffordshire, na Inglaterra, chegou-se à fórmula definitiva: 60% de Mastiff e 40% de Buldogue. O seu nome original era Gamekeeper's Night Dog, que significa "cão vigia de caça noturno". Os primeiros Bullmastiffs foram apresentados na exposição do Crystal Palace, em Londres, no ano de 1871. O reconhecimento do The Kennel Club só veio em 1924. O do AKC, em 1933.
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